De Tomar para o ouro do Mundo: a preparação da nova campeã mundial de cadetes passou pelo Ribatejo.
Jolina Reinhold sagrou-se campeã do mundo de cadetes em -63 kg, em Guayaquil, depois de ter passado por Tomar para preparar a grande competição da temporada.
A alemã Jolina Reinhold, do TSV Abensberg, sagrou-se campeã do mundo de cadetes em -63 kg, a 21 de agosto, em Guayaquil, no Equador. Semanas antes, esteve em Portugal a afinar a preparação para a prova mais importante da sua carreira: entre 13 e 16 de julho, treinou no Estágio Internacional de Tomar.
Tinha 15 anos quando disse, numa entrevista à IPPONGEAR, que o grande objetivo da temporada era “ganhar o EYOF e tornar-me campeã do mundo de cadetes”. Cumpriu a primeira parte em Skopje, no Festival Olímpico da Juventude Europeia de 2025. A segunda cumpriu-a agora, em Guayaquil, ao mais alto nível de sempre da categoria de cadetes e fê-lo depois de escolher Tomar, e o seu Estágio Internacional, como parte da reta final de preparação.
O caminho até ao ouro em Guayaquil
Jolina Reinhold chegou ao Equador sem cabeça de série na categoria de -63 kg, mas com um currículo que já impunha respeito: medalhada mundial de cadetes em 2024, campeã do EYOF em 2025 e campeã da Millennium Team Cadet European Cup 2026. A categoria parecia destinada à eslovena Ilariia Tsurkan, número um do ranking mundial até a japonesa estreante Aki Asada a eliminar nos quartos de final.
Foi essa mesma Aki Asada que Reinhold encontrou nas meias-finais. A alemã impôs-se e garantiu um lugar, surpreendente para muitos, na final frente à austríaca Bleona Rama. Bastou pouco mais de um minuto: um koshi-guruma valeu waza-ari, seguido de um osaekomi perfeito dez segundos depois. Estava decidido o título mundial de cadetes em -63 kg.
“Só percebi o que se tinha passado quando me levantei e voltei a ver os cartazes do Campeonato do Mundo e ouvi todos a festejar. Foi aí que comecei a chorar. Há um mês estava tão nervosa que não conseguia dormir, mas consegui, e estou muito agradecida à minha família, aos meus amigos e aos meus treinadores. Isto não é o resultado final é a prova de que o meu trabalho está a compensar. Vou treinar ainda mais para chegar aos Jogos Olímpicos e ser campeã do mundo também em juniores e seniores.” – Jolina Reinhold, à IJF, após a final.
Guayaquil em números — o caminho de Jolina Reinhold até ao ouro
16 avos-de-final: venceu Damaris Paredes Luisataxi (Equador), 2-0 · Oitavos-de-final: venceu Victoria Summers (Canadá), 2-0 · Quartos-de-final: venceu Parizoda Yuldasheva (Usbequistão), 2-0 · Meias-finais: venceu Aki Asada (Japão) · Final: venceu Bleona Rama (Áustria), com koshi-guruma (waza-ari) e osaekomi — combate decidido em pouco mais de um minuto.
Tomar na rota de uma futura campeã
É aqui que a história ganha um interesse especial para o IPPONZITO. Nas semanas decisivas antes de Guayaquil, Jolina Reinhold esteve em Portugal, a treinar no Estágio Internacional de Tomar, entre 13 e 16 de julho de 2026. Não veio para um estágio qualquer: veio afinar a preparação para o Campeonato do Mundo, o objetivo mais importante da sua temporada, e escolheu Tomar para o fazer.
A presença de uma futura campeã mundial de cadetes nos tatamis de Tomar diz muito sobre a qualidade do estágio que a região organiza. Não é apenas mais um encontro de treino: é, cada vez mais, uma paragem reconhecida na rota de preparação de atletas de nível internacional, a semanas de um Campeonato do Mundo. O ouro de Jolina Reinhold em Guayaquil é, também, um sinal do nível que o Judo do Ribatejo já atinge quando se trata de acolher e preparar quem chega ao topo.
Não é caso isolado. O Estágio Internacional de Tomar tem vindo, edição após edição, a reunir treinadores e atletas de fora de Portugal, atraídos pela qualidade dos tatamis, pelo nível dos parceiros de treino e pela organização do evento. É esse trabalho, muitas vezes invisível para quem está de fora, que agora ganha um rosto internacional: o de uma campeã do mundo que, a três semanas da prova mais importante da carreira, decidiu confiar parte da sua preparação a Tomar.
O nome de Jolina Reinhold junta-se, assim, a uma lista crescente de judocas e treinadores estrangeiros que já passaram pelos estágios organizados no Ribatejo, prova de que a aposta feita, ano após ano, na organização e na qualidade destes eventos está a dar frutos muito para além das fronteiras da região. Cada vez que um nome como o de Jolina Reinhold agradece publicamente ao seu percurso de preparação, é também Tomar, e o Judo português, que ganha visibilidade internacional.
Uma judoca desde os três anos
A ligação de Jolina Reinhold ao Judo começou muito antes dos grandes palcos. “Comecei a fazer Judo aos três anos”, contou à IPPONGEAR. “O meu pai viu um folheto para uma sessão experimental. Na minha cidade, o Judo é muito popular. O meu avô também praticou, por isso o meu pai pensou: porque não tentar? E desde então, ficou comigo.”
Descreve-se como “uma pessoa muito atlética”: “No Judo precisamos de tudo, força, flexibilidade, técnica. É por isso que gosto tanto. E, além disso… gosto mesmo de lutar!”, diz, entre risos. Aos 10 anos começou a treinar boxe. Aos 11, participou no Ninja Warrior Kids Germany e chegou à meia-final, experiência que, garante, lhe reforçou a pega. Hoje tem um pequeno circuito de parkour montado no quintal de casa.
Treina na Baviera, com o mesmo treinador que a acompanha desde os três anos. “É como um pai para mim. Antes de cada combate, ligo-lhe e ele diz-me exatamente o que fazer. Conhece os meus adversários melhor do que eu”, contou. A família também sempre esteve presente: o pai levava-a a competições por toda a Europa; a mãe apoia-a, sobretudo com alimentação saudável nas fases de controlo de peso.
Referências e o segredo de campeã
Entre as suas referências no Judo mundial estão as irmãs Ballhaus, (Seija, atual campeã europeia na mesma categoria, e Mascha, bicampeã mundial de bronze em -52 kg e sua companheira de treinos), além do ucraniano Georgii Zantaraia e do japonês Hifumi Abe, admirados não só pelos resultados, mas pela postura: “Nunca são arrogantes. Gosto muito disso.”
E há também um ritual menos sério, mas igualmente sagrado: Nutella. “Sou uma grande fã de Nutella. Como biscoitos de Nutella em todas as competições e quando fico em casa de amigos, os pais deles costumam comprar-me Nutella”, confessa. O conselho que mais lhe ficou é do avô: “Não tenhas medo. Toda a gente cozinha com água” ou seja, ninguém é assim tão diferente. “Basta seres tu própria e lutar.”
De olhos postos em Los Angeles e em Brisbane 2032
Aos 15 anos, Jolina Reinhold já dizia que o grande sonho era os Jogos Olímpicos, com o horizonte fixado em Brisbane 2032. O título mundial de cadetes em Guayaquil, conquistado poucas semanas depois de treinar em Tomar, é mais um passo confirmado nesse caminho e reforça a ideia de que o trabalho feito nos tatamis do Ribatejo pode, também ele, fazer parte da história de uma futura estrela olímpica.



Nota de referência
Este artigo foi elaborado com base em declarações públicas da atleta à IPPONGEAR e à IJF, resultados oficiais da European Judo Union e do Campeonato do Mundo de Cadetes Guayaquil 2026, e informação editorial do IPPONZITO sobre a presença da atleta no Estágio Internacional de Tomar (13-16 de julho de 2026). Fontes: eju.net, ijf.org, judotv.com, ippon-shop.com.
Autor
Tiago Martins
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