COMPETIÇÃO

PSG Judo faz o triplete em Paris numa final de golden score, e a portuguesa Taís Pina leva o ACBB ao bronze

Num Dojo de Paris em ebulição, o PSG derrotou o Red Star de Belgrado por 4-3 com um yuko de Joan-Benjamin Gaba em golden score e conquistou a terceira Champions League consecutiva. A judoca portuguesa Taís Pina, de 21 anos, ganhou dois combates em dois dias decisivos para o ACBB Boulogne-Billancourt, que acabou no pódio. […]

Por Ana Rodrigues 11 minutos de leitura
Judocas do PSG a festejar o título da Champions League de Judo 2026, em Paris, com o troféu erguido
O PSG Judo festeja o terceiro título consecutivo na Champions League de Judo, a 24 de outubro, em Paris.


Num Dojo de Paris em ebulição, o PSG derrotou o Red Star de Belgrado por 4-3 com um yuko de Joan-Benjamin Gaba em golden score e conquistou a terceira Champions League consecutiva. A judoca portuguesa Taís Pina, de 21 anos, ganhou dois combates em dois dias decisivos para o ACBB Boulogne-Billancourt, que acabou no pódio. Contamos a competição fase a fase, com a imprensa francesa e a EJU.

A Champions League do judo, em Paris

A 24 de outubro de 2026, o Dojo de Paris, na Porte de Châtillon, recebeu o ECC Champions League, o Campeonato da Europa de Clubes por equipas mistas. Segundo a L’Esprit du Judo, foi dois anos depois de Montpellier que a França voltou a acolher a prova. A IJF contabiliza 121 judocas de seis países. O quadro final inclui dez equipas: PSG Judo, Red Star de Belgrado, Jenys (Cazaquistão), ACBB Boulogne-Billancourt, Judo Nice Métropole, Sainte-Geneviève Sports (SGS), Judo Club Konar (Rússia), Judo Club 2012 (Azerbaijão), AM Saint-Gratien e RSC Montreuil.

O formato é o das equipas mistas: seis combates, três femininos (−57, −70 e +70 kg) e três masculinos (−73, −90 e +90 kg). Vence a equipa que primeiro somar a maioria de vitórias, e em caso de empate decide um golden score numa categoria sorteada. Os clubes podem recrutar judocas de vários países, mas não podem alinhar mais de dois estrangeiros em cada equipa de seis. O prémio é de 40.000 euros para o campeão, 30.000 para o finalista vencido e 15.000 para cada bronze.

CHAMPIONS LEAGUE 2026 EM SÍNTESE

• Data e local: 24 de outubro de 2026, Dojo de Paris.

• Campeão: PSG Judo (FRA), pela terceira vez consecutiva.

• Finalista: Red Star de Belgrado (SRB). Final: 4-3.

• Bronzes: Jenys (KAZ) e AC Boulogne-Billancourt (FRA).

• 5.º lugar: Judo Nice Métropole e Sainte-Geneviève Sports. 7.º: JC Konar (RUS) e JC 2012 (AZE).

• Portuguesa em campo: Taís Pina (−70 kg), pelo ACBB.

Fase a fase: quartos de final

A competição começou às 10h00. Nos quartos de final, o PSG Judo cruzou-se com o Judo Club Konar, e a L’Esprit du Judo destaca a francesa Manon Deketer, a jogar em −70 kg contra a grega Elisavet Teltsidou, como figura do encontro. O Judo Nice Métropole, lançado pelo pesado finlandês Martti Puumalainen, eliminou o Jenys por 4-1 ao fim da manhã, e Maxime Gobert (−73 kg) destacou-se ao vencer o medalhista olímpico Vazha Margvelashvili com um estrangulamento sankaku-jime. A eliminatória do ACBB, contra o Red Star, foi a mais cruel para a equipa portuguesa em campo, e conta-se mais abaixo.

Semifinais: PSG sem dificuldades, Red Star sem piedade

Na primeira meia-final, o PSG dominou o Sainte-Geneviève Sports por 4-0: Clarisse Carillon ganhou, Dayyan Boulemtafes fez um combate de grande nível com dois uchi-mata, Manon Deketer venceu por yuko e Zelim Tckaev fechou com um tai-otoshi. Era a terceira final consecutiva do clube.

A outra meia-final foi mais dura para a França. O Red Star derrotou o Nice por 4-1, mas ficou marcada por um momento dramático: Fanny-Estelle Posvite, medalhada mundial em 2015, liderava com um yuko a oito segundos do fim contra Milica Žabić quando se lesionou na perna esquerda, e saiu do tatami numa cadeira de rodas, segundo a L’Esprit du Judo. O Nice viria a perder também o combate de bronze. Pelo caminho, Marica Perišić e Nauana Silva tinham vencido por penalizações, e Nemanja Majdov por yuko.

Taís Pina: dois dias de decisões em dois combates

Taís Bianca Vasconcelos de Pina nasceu a 13 de outubro de 2004, tem 21 anos e é a judoca portuguesa de −70 kg que a EJU destaca na lista do ACBB. A antevisão da EJU descreveu a equipa de Boulogne como tendo uma seleção «particularmente interessante», com a medalhada olímpica Sarah-Léonie Cysique, Alexis Mathieu em −90 kg e «a portuguesa Taís Pina», além de um grupo francês forte.

O percurso de Taís tem peso internacional. Segundo a Wikipédia, ganhou o Grand Slam de Astana em 2024, foi prata no Grand Slam de Antalya no mesmo ano e competiu nos Jogos Olímpicos de Paris 2024, em −70 kg. Em 2025 foi quinta nos Europeus e chegou aos oitavos de final nos Mundiais, e em 2026 somou o bronze no Grand Prix de Linz. Em Baku, no Mundial de 2026, perdeu frente à russa Madina Taimazova, que viria a ser bronze.

TAÍS PINA EM PARIS, COMBATE A COMBATE

• Quartos de final, ACBB-Red Star: Taís começou bem, com um yuko de contra-ataque, mas perdeu por três penalizações no final, quando liderava. O encontro ficou 2-2 e o ACBB acabou por cair em golden score.

• Repescagem, ACBB-JC 2012 (AZE): vitória de Taís Pina, com Fatiha Moussa e Célia Cancan, nas três categorias femininas. O ACBB ganhou por 4-1 e seguiu para o bronze.

• Combate de bronze, ACBB-SGS: Taís Pina derrotou Ilona Depri, com um waza-ari no primeiro minuto e um segundo, em contra-ataque, a fechar o combate. O ACBB ganhou por 4-0.

Os quartos de final foram o dia mais duro. Segundo a L’Esprit du Judo, o ACBB começou bem, com o campeão olímpico Zelym Kotsoiev a ser projetado por Anton Savytskiy mesmo no gongo do primeiro combate, e Eliot Prévé empatou depois com um o-soto-gari para ippon sobre Bagajev. Estava 2-1 para o ACBB quando Taís Pina concedeu, já no fim do combate, uma terceira penalização, quando liderava por yuko, que tinha conseguido com um contra-ataque no início, e o encontro ficou 2-2. Alexis Mathieu, num combate duríssimo contra Rutovic, devolveu a vantagem ao ACBB (3-2), mas Célia Cancan caiu perante Milica Žabić com um seoi-nage em vinte segundos. Em golden score, no −90 kg, Mathieu foi contrariado por yuko e a França perdeu o lugar nas meias-finais.

Taís respondeu na repescagem. O ACBB já tinha um ponto garantido por uma desistência de um dos judocas masculinos do JC 2012, e as três mulheres do clube, Fatiha Moussa, Taís Pina e Célia Cancan, todas vindas de uma derrota nos quartos de final, ganharam os seus combates e deram o 4-1 sobre o clube azeri. A L’Esprit du Judo escreveu que a «operação pódio continental» continuava possível para o grupo do presidente Yoann Catherin.

E no combate decisivo pelo bronze, contra o Sainte-Geneviève Sports, Taís foi das primeiras a pontuar. Face à francesa Ilona Depri, marcou um waza-ari no primeiro minuto e, quando Depri atacou, apanhou-a com um segundo waza-ari de contra-ataque, fechando o combate. Foi o segundo ponto do ACBB, depois do ippon de-ashi-barai de Eliot Prévé sobre Ishak Tabet, e abriu caminho ao 4-0 com que o clube garantiu a medalha de bronze.

“O judo é bonito quando é praticado assim.” — L’Esprit du Judo, sobre a prestação do ACBB no combate de bronze (tradução do IPPONZITO)

Para o judo português, o desempenho é relevante por duas razões. Primeiro, Taís Pina competiu num torneio em que as equipas se montam com judocas de vários países, ao lado de campeões olímpicos e mundiais, e fê-lo como titular de uma equipa que chegou ao pódio. Segundo, ganhou dois combates contra adversárias francesas e azeris em pouco mais de um dia de prova, depois de uma derrota nos quartos de final decidida por penalizações, e mostrou capacidade de resposta.

O bronze do ACBB

O ACBB Boulogne-Billancourt é o campeão da Judo Pro League 2025-2026, segundo o portal info.fr, e foi o clube francês qualificado para a Champions League por essa via. A EJU descreve o bronze como a conclusão de «quatro vitórias consecutivas» e uma prestação impressionante, e o combate decisivo coube a Célia Cancan, que ganhou ao Sainte-Geneviève de Léa Fontaine com um sumi-otoshi para yuko em golden score, depois de forçar penalizações à adversária.

ACBB, BRONZE, COMBATE A COMBATE

• −73 kg: Eliot Prévé (ACBB) vence Ishak Tabet (SGS) por ippon, com de-ashi-barai.

• −70 kg: Taís Pina (ACBB) vence Ilona Depri (SGS), dois waza-ari.

• −90 kg: Alexis Mathieu (ACBB) vence Avel Coutin (SGS) por yuko.

• +70 kg: Célia Cancan (ACBB) vence Léa Fontaine (SGS), yuko em golden score.

• Resultado: ACBB 4, SGS 0.

O outro bronze: Jenys em golden score

O outro combate pelo bronze opôs o Jenys (Cazaquistão) ao Judo Nice Métropole, e foi uma montanha-russa. Abdurakhmanov perdeu por penalizações com Gobert, Michaela Polleres igualou com um sumi-gaeshi, Luka Maisuradze imobilizou Tizie Gnamien e Siwar Dhawedi, tunisina, ganhou à Aida Toishibekova por imobilização. Puumalainen pôs o Nice em vantagem com um ippon sobre Kazhybayev, mas Dana Abdirova ganhou a Léa Métrot por yuko de o-uchi-gari e levou a decisão para golden score. Maisuradze e Gnamien voltaram ao tatami, e o georgiano fechou o bronze com um sumi-gaeshi para ippon, aos quase três minutos.

A final: PSG 4-3 Red Star, jogo a jogo

Do lado do PSG estavam o campeão do mundo de 2025 Joan-Benjamin Gaba e Romane Dicko, entre outros, e a antevisão da EJU referia ainda a presença de Teddy Riner na lista, com participação por confirmar, que não surge nas crónicas da final. Do lado do Red Star, a armada incluía os campeões olímpicos Zelym Kotsoiev e Hidayat Heydarov, na lista, o antigo campeão do mundo Nemanja Majdov e a brasileira Rafaela Silva, também na lista.

A FINAL, COMBATE A COMBATE

• −73 kg: Joan-Benjamin Gaba (PSG) vence Vukašin Sokić por imobilização. PSG 1-0.

• −70 kg: Nauana Silva (Red Star) vence Manon Deketer por ippon, a menos de 30 segundos do fim. 1-1.

• −90 kg: Nemanja Majdov (Red Star) vence Theodoros Tselidis em golden score. Red Star 2-1.

• +70 kg: Romane Dicko (PSG) vence Milica Žabić, waza-ari e imobilização. 2-2.

• +90 kg: Zelym Kotsoiev (Red Star) vence Kevin Nzuzi Diasivi por ippon em golden score. Red Star 3-2.

• −57 kg: Shirlen Nascimento (PSG) vence Marica Perišić por ippon em golden score, contra-ataque. 3-3.

• Decisivo (−73 kg, sorteado): Gaba vence Sokić por yuko, aos 1:49. PSG 4-3.

A final foi, nas palavras da EJU, «uma final para a história». Gaba abriu e fechou a noite, e a L’Esprit du Judo sublinha que o atleta, «pouco em veia nos individuais este ano e lesionado antes dos Mundiais», voltou a ser o homem da noite. Entre os dois momentos, a vitória de Nauana Silva sobre Deketer, o duelo entre Kotsoiev e o jovem Nzuzi Diasivi, que foi ao mundo do campeão olímpico com um seoi-nage baixo e se bateu de igual para igual, e o contra-ataque de Shirlen Nascimento, que empatou o encontro, são as imagens que ficam.

A revista francesa não poupou a arbitragem: criticou, a propósito do combate de Tselidis, uma passagem ao solo não contada como osae-komi, e falou de «mais uma arbitragem longe do nível de desempenho dos atletas». É a opinião da publicação, e a EJU não refere o assunto.

«Paris puissance trois», escreve a L’Esprit du Judo, para dizer que Paris é triple campeão da Europa por equipas mistas. Para o Red Star, que já tinha perdido a final de 2025, em Belgrado, por 4-2 frente ao PSG, fica a sensação de ter estado a um ponto do título. Segundo a L’Esprit du Judo, é o terceiro ano consecutivo em que o título se decide entre Belgrado e o PSG.

O que fica para o judo português

A Champions League é um território onde o judo português ainda tem pouca representação, e por isso a presença de Taís Pina conta. O ACBB é uma equipa com campeões olímpicos e um clube vencedor da Judo Pro League, e a judoca portuguesa integrou-a, ganhou combates importantes e subiu ao pódio europeu de clubes. É um sinal positivo para uma atleta que em outubro perdeu em Baku com a futura bronze Taimazova, e que mostra que o caminho para os Jogos de Los Angeles 2028 passa também por provas de clubes de alto nível.

O que fica:
PSG Judo é tricampeão da Champions League depois de uma final decidida em golden score, o Red Star esteve a um combate do título, e Taís Pina deu ao judo português uma presença de destaque no pódio, com dois combates ganhos nos dias decisivos do ACBB Boulogne-Billancourt.

Nota de Referência

Artigo elaborado a partir de reportagens da EJU (antevisão de 22 de outubro e crónica da final de 24 de outubro de 2026), do direto comentado e do quadro de resultados da revista francesa L’Esprit du Judo, da página da competição na IJF, do PSG, da Wikipédia (perfil de Taís Pina) e de informação do portal info.fr sobre a edição de 2026. As expressões citadas de L’Esprit du Judo foram traduzidas do francês pelo IPPONZITO. O nome da adversária de Taís Pina nos quartos de final não consta das fontes consultadas. Confirmar com Taís Pina ou com o ACBB o percurso exato do clube nas primeiras rondas e eventuais declarações.