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Tatami “TOP”, Piscina grátis e uma meia-final do mundial: A Baviera vista por Zach Burt

Zach Burt chegou a Tomar a convite da associação de Judo de Santarem, à frente da equipa da Baviera, na Alemanha. Canadiano de nascença, com medalhas de bronze no Grand Slam de Abu Dhabi (2017), no European Open de Roma (2017) e no International Belgian Open de Vise (2014), e cinco vezes campeão canadiano, Burt […]

Por Tiago Martins 4 minutos de leitura
Zach Burt, treinador da Baviera, no Estágio Internacional de Judo em Tomar
Zach Burt, treinador da equipa da Baviera, participou no Estágio Internacional de Judo da AJDS, em Tomar.

Zach Burt chegou a Tomar a convite da associação de Judo de Santarem, à frente da equipa da Baviera, na Alemanha. Canadiano de nascença, com medalhas de bronze no Grand Slam de Abu Dhabi (2017), no European Open de Roma (2017) e no International Belgian Open de Vise (2014), e cinco vezes campeão canadiano, Burt trouxe ao Estágio Internacional de Judo da AJDS um olhar de fora, elogioso, mas também construtivo, sobre o que a região tem para oferecer.

Uma aposta que valeu a pena

A decisão de vir a Portugal nasceu da procura constante por novas formas de desenvolver os seus atletas. “Estamos sempre à procura de novas oportunidades para desenvolver os nossos atletas. O convite da associaçao de Judo de Santarem foi uma boa oportunidade para a nossa equipa da Baviera experimentar algo novo.” Deixa, aliás, um agradecimento direto pela oportunidade.

Elogios ao pavilhão e à logística

Sobre a organização geral, o veredicto é positivo: o estágio esteve “bem organizado”. Destaca em particular o serviço de shuttle entre o hotel, o pavilhão e os locais de refeição,  “foi muito agradável que tenha funcionado sem problemas” e o facto de haver sempre alguém no pavilhão disponível para esclarecer dúvidas.

A única reserva vai para a pontualidade: “Gostaria de ter visto mais pontualidade no início das sessões, sobretudo no arranque dos randoris. Por vezes sobrava pouco tempo para randori.” Sobre o nível técnico dos participantes, nota que havia “muitos participantes com níveis muito diferentes”,  o que permite experimentar coisas distintas nos randoris, ainda que, para a sua equipa em particular, “mais parceiros fortes teriam sido úteis”.

Já sobre o tatami e as instalações, não há qualquer reparo: “Estava tudo ótimo. O pavilhão e o tapete eram top”, com espaço suficiente tanto para o trabalho técnico como para os randoris.

O ponto alto: o treino de Judo Adaptado

Questionado sobre os melhores momentos do estágio, Burt não hesita em destacar a sessão de Judo Adaptado realizada no último dia: “Antes de mais, quero dizer que o treino do para-atleta no último dia foi uma ideia excelente.” Ficou também satisfeito com o feedback positivo que recebeu de outros participantes e treinadores pelas suas próprias sessões, “gostei muito de fazer parte da equipa”.

Tomar, o calor e a piscina que salvou os miúdos

A cidade deixou boa impressão: “uma localidade muito bonita”, com gente “extremamente simpática e prestável” e um ambiente “muito bom e descontraído”. O programa cultural, esse, ficou por cumprir, as temperaturas elevadas tiraram aos mais novos da equipa a vontade de sair a passear. Mas houve compensação à mão: a piscina ao lado do pavilhão, de acesso gratuito, tornou-se “um verdadeiro destaque para os miúdos”.

Hambúrgueres, futebol e uma meia-final do Mundial

A anedota que fica para a história do estágio aconteceu longe do tatami. Numa noite em que decorria a meia-final do Mundial de futebol entre Inglaterra e Argentina, a equipa da Baviera juntou-se à equipa da Grã-Bretanha num restaurante de hambúrgueres. O resultado: “uma noite empolgante e divertida para todo o grupo”.

Nacionalidade importa menos do que experiência

Confrontado com a mistura de nacionalidades reunida em Tomar, Burt tem uma opinião clara: “A nacionalidade dos treinadores não é, na minha opinião, tão decisiva quanto a sua formação. Treinadores para estágios internacionais deste tipo deveriam, sem dúvida, vir da área competitiva de alto nível, a experiência própria de competição contribui mais para boas sessões de treino do que a nacionalidade.”

Sobre o que esta diversidade pode trazer aos judocas e clubes da região, defende uma estrutura de trabalho orientada para a competição: aquecimento curto, número elevado de randoris,  entre 15 e 20 rondas por judoca, por dia,  e, quando há dois treinos diários, um bloco técnico curto de manhã com conteúdos relevantes para a competição, antes do randori. Na sua leitura, “a região pode beneficiar sobretudo da diversidade de parceiros de treino, quando o número e o nível dos participantes é elevado. As diferentes nacionalidades dos treinadores podem, naturalmente, trazer também aspetos distintos do judo de competição para o estágio.”