COMPETIÇÃO

Sofia Gaspar: aos 16 anos, o bronze mundial que confirma a força da nova geração

A judoca da Académica, de apenas 16 anos, conquistou a medalha de bronze na categoria de -52 kg no Campeonato do Mundo de Cadetes, disputado em Guayaquil, no Equador. Travada apenas pela japonesa Rio Shirakane, número um do ranking mundial, Sofia Gaspar decidiu o bronze em Golden Score, num combate que, pelas suas próprias palavras, […]

Por Ana Rodrigues 3 minutos de leitura
Sofia Gaspar no pódio do Campeonato do Mundo de Cadetes em Guayaquil
Sofia Gaspar conquistou o bronze em -52kg no Campeonato do Mundo de Cadetes, em Guayaquil, Equador.

A judoca da Académica, de apenas 16 anos, conquistou a medalha de bronze na categoria de -52 kg no Campeonato do Mundo de Cadetes, disputado em Guayaquil, no Equador. Travada apenas pela japonesa Rio Shirakane, número um do ranking mundial, Sofia Gaspar decidiu o bronze em Golden Score, num combate que, pelas suas próprias palavras, lhe deixou “uma sensação inexplicável”.

O caminho até ao pódio em Guayaquil

O percurso de Sofia Gaspar na categoria de -52 kg começou da melhor forma possível: venceu a bielorrussa Alisiya Zharskaya e a bósnia Tea Simic na fase de poule, garantindo lugar nos quartos de final. Foi aí que encontrou a japonesa Rio Shirakane, número um do ranking mundial da categoria, e saiu derrotada – um resultado que, longe de a abalar, mudou a forma como encarou o resto da competição.

“Prova de alto nível e muito mais exigente. Perdi contra uma japonesa, que é um dos países com maior tradição na modalidade, mas esse combate fez com que mudasse a mentalidade e não fiquei arrasada pela derrota.” – Sofia Gaspar

Na repescagem, a portuguesa bateu a equatoriana Renata Vasquez e a israelita Yali Yahav para chegar à luta pelo bronze – um combate decidido em Golden Score, resolvido apenas quando já não havia margem para erro. Foi nesse momento de tensão máxima que Sofia Gaspar subiu ao pódio mundial.

“Depois fui aos blocos de finais, onde ganhei à atleta que já tinha perdido duas vezes. Ganhar esse combate criou uma sensação inexplicável em mim, foi algo incrível e, mesmo após ter passado já o dia, é algo que faz com que ainda não esteja em mim. Foi muita felicidade nesse momento em que percebi que tinha conquistado a medalha num palco como este.” – Sofia Gaspar

Um ano em crescendo

O bronze mundial não surge isolado, é antes o ponto mais alto de uma temporada internacional consistente. Em fevereiro, Sofia Gaspar já tinha subido ao pódio em Roma, com uma medalha de bronze; em março, foi prata em Antália, na Turquia; e em abril, o primeiro lugar na Taça da Europa de Ganja, no Azerbaijão. Um percurso ascendente que culminou, em agosto, na medalha mais importante da carreira da jovem judoca até à data conquistada frente à elite mundial da categoria de cadetes.

O mesmo Mundial, duas histórias que se cruzam

O Campeonato do Mundo de Cadetes de Guayaquil já tinha dado, dias antes, outro motivo de interesse ao IPPONZITO: foi lá que a alemã Jolina Reinhold se sagrou campeã do mundo em -63 kg, semanas depois de ter afinado a preparação no Estágio Internacional de Tomar. Agora, é uma judoca portuguesa a subir ao pódio na mesma competição – provas diferentes, resultados diferentes, mas o mesmo palco e a mesma geração.

As duas histórias, lidas em conjunto, dizem algo maior sobre o momento do Judo de cadetes a nível mundial: uma geração muito jovem – Sofia Gaspar tem apenas 16 anos – já a competir e a vencer ao mais alto nível internacional. E reforçam, também, o valor de investir cedo na formação: é precisamente esse o objetivo do Estágio Internacional de Tomar, que ano após ano tem procurado posicionar o Ribatejo como uma paragem relevante na preparação de atletas rumo às grandes provas – sejam eles portugueses, como Sofia Gaspar, sejam vindos de fora, como Jolina Reinhold.

Nota de Referência

Federação Portuguesa de Judo (fpj.pt), Diário de Coimbra e RTP Notícias — artigos publicados a propósito da medalha de bronze de Sofia Gaspar no Campeonato do Mundo de Cadetes 2026 (Guayaquil, Equador).