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Até onde pode ir a monitorização do atleta? Panathlon Clube de Lisboa debate os limites éticos a 29 de setembro

Dados biométricos, sono, alimentação, localização, hábitos extradesportivos: o desporto de alto rendimento sabe hoje mais sobre o atleta do que nunca. O Panathlon Clube de Lisboa reúne, no dia 29 de setembro, uma mesa redonda para perguntar onde termina o acompanhamento legítimo e onde começa a intrusão na vida íntima e privada de quem compete […]

Por Ana Rodrigues 5 minutos de leitura
O Panathlon Clube de Lisboa debate os limites éticos da monitorização do atleta a 29 de setembro.

Dados biométricos, sono, alimentação, localização, hábitos extradesportivos: o desporto de alto rendimento sabe hoje mais sobre o atleta do que nunca. O Panathlon Clube de Lisboa reúne, no dia 29 de setembro, uma mesa redonda para perguntar onde termina o acompanhamento legítimo e onde começa a intrusão na vida íntima e privada de quem compete – um tema que interessa a qualquer modalidade, incluindo o Judo formativo praticado no Ribatejo.

O que vai acontecer

A sessão “Monitorização da Vida Íntima e Privada do Atleta e os Limites Éticos” realiza-se no dia 29 de setembro, terça-feira, entre as 21h00 e as 22h30, no Auditório do Ginásio Clube Português, em Lisboa. O formato inclui uma breve intervenção inicial seguida de debate em mesa redonda, com entrada livre sujeita à lotação da sala, e transmissão em direto pelo canal de Youtube do Panathlon Clube de Lisboa para quem preferir acompanhar à distância.

A SESSÃO – O ESSENCIAL

Data: 29 de setembro (terça-feira)

Hora: 21h00 às 22h30

Local: Auditório do Ginásio Clube Português, Rua das Amoreiras 43, Lisboa

Streaming: em direto no canal Youtube/panathlonlisboa

Entrada: livre, sujeita à lotação da sala

Inscrição: obrigatória, via formulário (presencial ou online)

Organização: Panathlon Clube de Lisboa

Uma pergunta que atravessa todo o desporto

A evolução do desporto de alto rendimento tem alargado, de forma significativa, a capacidade de conhecer e acompanhar o atleta muito para além do treino e da competição. Dados biométricos e clínicos, alimentação, sono, recuperação, localização e até hábitos quotidianos ou extradesportivos podem hoje ser monitorizados e analisados com um grau de detalhe que, há poucos anos, seria dificilmente imaginável.

O Panathlon Clube de Lisboa reconhece que muita desta informação tem uma finalidade legítima e um valor indiscutível – pode contribuir para melhorar o desempenho, prevenir lesões, proteger a saúde e apoiar decisões de treinadores, médicos e equipas multidisciplinares. Mas a crescente capacidade para recolher e interpretar informação coloca uma questão que ultrapassa a eficácia dos mecanismos e o cumprimento formal da lei: tudo aquilo que é possível – e até útil – conhecer sobre um atleta deve poder ser conhecido?

É nesse território que se situa a reflexão proposta pela sessão: onde termina a legítima preocupação com a saúde, a segurança e o desempenho do atleta, e onde começa a intrusão na sua intimidade? Entre os temas em debate estão o consentimento do atleta e a assimetria de poder face a clubes e equipas técnicas, a responsabilidade de treinadores e organizações multidisciplinares, e a distinção entre os limites legais e os limites éticos do acompanhamento desportivo.

Quem está na mesa

A sessão é moderada por Soraia Quarenta, advogada e membro do Conselho Diretivo do Panathlon Clube de Lisboa. A intervenção inicial (keynote) está a cargo de Luís Horta, médico especialista em Medicina Desportiva e coordenador do Centro de Estudos e Investigação da ULSSJ. Seguem-se, na mesa redonda, Domingos Castro, presidente da Federação Portuguesa de Atletismo, João Silva, atleta olímpico de triatlo, e Lúcio Correia, advogado e docente universitário – uma combinação de perspetivas médica, jurídica, institucional e a de quem vive o acompanhamento desportivo em primeira pessoa, enquanto atleta de alto rendimento.

Porque interessa também ao Judo do Ribatejo

Ainda que pensada a partir do desporto de alto rendimento, a discussão toca uma realidade cada vez mais presente também nos clubes de formação: aplicações de treino, pulseiras e relógios inteligentes, grupos de mensagens com treinadores e a partilha de dados de saúde de atletas menores de idade são já rotina em muitas modalidades, incluindo o Judo. As perguntas que o Panathlon Clube de Lisboa propõe – sobre consentimento, assimetria de poder entre atleta e estrutura, e os limites entre acompanhamento e intrusão – valem tanto para uma seleção olímpica como para um clube de bairro que treina crianças e jovens.

O Panathlon Clube de Lisboa

Fundado há 46 anos, o Panathlon Clube de Lisboa é hoje reconhecido em Portugal e em toda a Lusofonia pelo seu trabalho em torno da ética e da integridade no desporto – de que é exemplo o Clube para a UNESCO pelos Valores Desportivos, protocolo assinado com a Comissão Nacional da UNESCO que integra o clube na Rede de Associações e Clubes para a UNESCO. Entre os seus objetivos está promover estudos e investigação, e informar as estruturas educativas e desportivas sobre temas atuais que cruzam o desporto e a sociedade.

O que fica:
No dia 29 de setembro, entre as 21h e as 22h30, o Panathlon Clube de Lisboa propõe uma reflexão que qualquer clube – do alto rendimento à formação de base – devia acompanhar: até onde deve ir o conhecimento sobre a vida de um atleta, e quem decide onde fica esse limite. Entrada livre no Auditório do Ginásio Clube Português, ou em direto pelo Youtube/panathlonlisboa, com inscrição prévia obrigatória.

Fontes de referência

Convite e cartaz de divulgação do Panathlon Clube de Lisboa para a sessão “Monitorização da Vida Íntima e Privada do Atleta e os Limites Éticos”; Comissão Nacional da UNESCO — Portugal, “Panathlon Clube de Lisboa integra a Rede de Associações e Clubes para a UNESCO”; panathlonlisboa.pt.