Alice Bellandi: a Tripla Coroa da italiana que ainda se sente “a última da fila”
Ouro olímpico em 2024, título mundial em 2025, título europeu em 2026 – Alice Bellandi completou, entre Paris, Budapeste e Tbilisi, uma das conquistas mais raras do Judo: a Tripla Coroa. Em Baku, a 9 de outubro, a italiana defende o título mundial em -78kg, a categoria onde reconstruiu a carreira e a vida. FICHA […]
Ouro olímpico em 2024, título mundial em 2025, título europeu em 2026 – Alice Bellandi completou, entre Paris, Budapeste e Tbilisi, uma das conquistas mais raras do Judo: a Tripla Coroa. Em Baku, a 9 de outubro, a italiana defende o título mundial em -78kg, a categoria onde reconstruiu a carreira e a vida.
FICHA DA ATLETA
Nome: Alice Bellandi
Nascimento: 28 de novembro de 1998, Brescia, Itália
Categoria: -78kg (competiu em -70kg até 2021)
Tripla Coroa: Ouro olímpico (Paris 2024) + Mundial (Budapeste 2025) + Europeu (Tbilisi 2026)
Ranking mundial: 1.ª
Vida pessoal: Noiva da judoca sul-africana Jasmine Martin
Mundial de Baku 2026: -78kg feminino compete no dia 9 de outubro
Da fuga às pesagens ao topo do mundo
A carreira de Alice Bellandi teve um ponto de viragem decisivo em 2022, quando a italiana decidiu subir de categoria, de -70kg para -78kg. Os cortes de peso severos tinham-se tornado tão exigentes que chegavam a provocar-lhe ataques de pânico, obrigando-a a repensar o futuro na modalidade. Subir de categoria foi, nas suas próprias palavras, a “única opção” – uma decisão que resultou não só numa atleta mais saudável, mas também mais feliz, finalmente capaz de encontrar equilíbrio entre o corpo, a alimentação e o rendimento desportivo.
A Tripla Coroa conquistada com dúvidas
O que torna o feito de Bellandi ainda mais notável é o percurso até ao título europeu de 2026, o último degrau da Tripla Coroa. Uma lesão sofrida depois do Grand Slam de Paris, em fevereiro, obrigou-a a parar de treinar durante três semanas, deixando-a a sentir-se vulnerável e mal preparada. Na manhã da competição em Tbilisi, foi dominada pelos nervos.
“Não precisas de te sentir bem para fazer coisas incríveis.”
– Alice Bellandi, sobre como venceu o Europeu de 2026 apesar de fisicamente frágil
Apesar de fisicamente fragilizada, Bellandi confiou na fé e na capacidade de entrar em “modo de combate” assim que pisou o tatâmi. Dias depois, completava a Tripla Coroa – mas os títulos, garante, não são o que a define.
“Sinto sempre que sou a última da fila.”
– Alice Bellandi, sobre continuar a sentir-se desafiada mesmo no topo do Judo mundial
Uma ligação a Portugal
O caminho de Bellandi até ao ouro olímpico de Paris 2024 passou também por Portugal: nas meias-finais, a italiana bateu a portuguesa Patrícia Sampaio – a mesma judoca de Tomar que o IPPONZITO tem vindo a acompanhar de perto, e que chega ao Mundial de Baku como cabeça de série depois do regresso de lesão. Foi um dos combates mais difíceis do percurso de Bellandi rumo ao ouro.
O que a espera em Baku
Como campeã do mundo em título e número um do ranking, Bellandi chega a Baku, a 9 de outubro, na posição mais desejada e mais incómoda ao mesmo tempo: a de principal alvo de todas as adversárias em -78kg. Depois de já ter conquistado tudo o que a modalidade tem para oferecer numa só época, o próximo objetivo declarado é claro – os Jogos Olímpicos de Los Angeles 2028.
O que fica:
Alice Bellandi (Itália, -78kg) completou a Tripla Coroa – ouro olímpico, mundial e europeu no mesmo ciclo – e chega a Baku como número um do ranking e campeã em título. Compete a 9 de outubro, na categoria onde reconstruiu a carreira depois de mudar de -70kg por razões de saúde.
Nota de Referência
International Judo Federation (ijf.org) – “Why the World’s Most Dominant Judoka Still Feels Like the Underdog?”; Wikipedia – “Alice Bellandi”; Olympics.com.

(c) Kulumbegashvili Tamara Foto: IJF

(c) Kulumbegashvili Tamara Foto: IJF

(c) Kulumbegashvili Tamara Foto: IJF

(c) Sabau Gabriela Foto: IJF
Autor
Ana Rodrigues
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