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“My Guy”: A alcunha que José Cardoso ganhou nos bastidores do Estágio Internacional de Tomar

A certa altura do Estágio Internacional de Judo em Tomar, José Cardoso deixou de ter nome. Passou a ser “My Guy”, a alcunha que lhe ficou colada por participantes de vários países, sempre acompanhada de um abraço. É um pequeno sinal de como, para este voluntário da AJDS, os dias de organização acabaram por se […]

Por Tiago Martins 4 minutos de leitura
José Cardoso, voluntário da AJDS, no Estágio Internacional de Judo em Tomar
José Cardoso, voluntário da AJDS, ficou conhecido como "My Guy" durante o Estágio Internacional de Judo em Tomar.

A certa altura do Estágio Internacional de Judo em Tomar, José Cardoso deixou de ter nome. Passou a ser “My Guy”, a alcunha que lhe ficou colada por participantes de vários países, sempre acompanhada de um abraço. É um pequeno sinal de como, para este voluntário da AJDS, os dias de organização acabaram por se transformar em algo bem maior do que logística: amizades que atravessam fronteiras.

Do treinador ao voluntariado

José começou a colaborar como voluntário em eventos de Judo há cerca de quatro anos, sobretudo em funções de mesa de prova nas competições da Associação de Judo do Distrito de Santarém. Um dos incentivos para se envolver mais foi o seu treinador, Filipe Lopes, “não só pelo seu percurso no Judo, mas também pela forma como vive e transmite a modalidade”, explica. No caso do Estágio Internacional de Tomar em particular, já leva cerca de três anos de colaboração na organização, período em que foi assumindo responsabilidades cada vez maiores.

Alojamento, transfers e um dia que começava cedo e acabava tarde

Este ano, José ficou responsável pela organização e acompanhamento do alojamento dos participantes, garantir que atletas e treinadores tinham as condições necessárias durante a estadia, e por parte dos transfers, assegurando as deslocações entre os vários locais do estágio.

O dia típico começava no Infantaria 15, ponto de encontro com os atletas e treinadores ali alojados. Seguia-se o autocarro até ao Politécnico para o pequeno-almoço em conjunto, e depois o pavilhão. De manhã, entre o acompanhamento do estágio e algumas tarefas pessoais; ao almoço, de volta ao Politécnico; à tarde, de novo o pavilhão para o treino, “uma das partes de que mais gostava”, porque também treinava e se divertia. Depois do jantar, mais uma ronda de transfers, entre eles para Torres Novas, e o regresso ao Infantaria 15 para confirmar que estava tudo bem com o alojamento. Só depois seguia para casa, já noite dentro.

Uma rotina preenchida, admite, mas de que gostou muito, sobretudo por estar integrado no grupo o dia inteiro, vivendo o estágio para além da componente puramente organizativa.

Uma equipa que é como uma família

Sobre a organização geral, o balanço é claramente positivo. Um evento com tantos atletas, treinadores, clubes e países envolve, reconhece, “uma grande quantidade de logística e detalhes que precisam de ser coordenados”, do alojamento às refeições, dos transportes aos treinos. Mas há um fator que, para José, faz toda a diferença: “a própria equipa que está por trás da organização”, constituída em grande parte por pessoas com quem cresceu no Judo. Essa relação de confiança e amizade, diz, facilita o trabalho em equipa e torna a experiência ainda mais especial. Não houve, sublinha, nenhuma situação inesperada ou complicada a gerir, sinal, na sua leitura, do bom trabalho de preparação feito por toda a equipa antes e durante o estágio.

Abraços, agradecimentos e convites para viajar

Entre os momentos que mais o marcaram está, sem dúvida, o ambiente humano criado ao longo dos dias: “Houve muitos abraços, muitas palavras de agradecimento e elogios, e sempre que alguém se cruzava comigo fazia questão de meter conversa ou perguntar se estava tudo bem.” Vários participantes chegaram mesmo a convidá-lo a visitar as suas cidades e clubes no futuro, prova, na sua opinião, de que o estágio foi “muito mais do que alguns dias de Judo”: uma oportunidade de criar ligações e memórias que vão muito para além do tatami.

Orgulho e uma mensagem simples

Ver o estágio a correr bem, sabendo que teve uma parte nesse resultado, traz-lhe “uma sensação de grande satisfação e orgulho”. E a próxima edição já tem voluntário garantido: “Sem dúvida. Voltaria a ser voluntário numa próxima edição, porque esta foi uma experiência extremamente positiva, tanto a nível pessoal como enquanto praticante de Judo.” A quem estiver a pensar dar o mesmo passo, deixa uma mensagem curta e direta: “Faz porque queres e sentes, não porque deves e tens.”