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Dinis Pinto, Presidente da ADJA: «O Judo algarvio vive uma fase de consolidação» – 1 387 Federados, 18 Clubes e o sonho de ver um algarvio ganhar uma medalha olímpica

Começou no Judo Clube de Beja, aos oito anos, levado pelo pai. Foi atleta até veterano, é árbitro, treinador e dirigente, e preside desde 2022 à Associação Distrital de Judo do Algarve. Nesta grande entrevista ao IPPONZITO, Dinis Pinto fala de quase 50 anos de história, de números que batem recordes, de clubes, de árbitros, […]

Por Tiago Martins 20 minutos de leitura
Dinis Pinto, Presidente da ADJA, ajoelhado no tatami, de judogi branco e cinto preto
Dinis Pinto, Presidente da Associação Distrital de Judo do Algarve desde 2022.


Começou no Judo Clube de Beja, aos oito anos, levado pelo pai. Foi atleta até veterano, é árbitro, treinador e dirigente, e preside desde 2022 à Associação Distrital de Judo do Algarve. Nesta grande entrevista ao IPPONZITO, Dinis Pinto fala de quase 50 anos de história, de números que batem recordes, de clubes, de árbitros, de katas e de Judo Adaptado, da ligação ao Ribatejo e do que falta para o Algarve entrar de vez no mapa do Judo Nacional.

Do Barlavento ao Sotavento, o Judo algarvio cresce. A Associação Distrital de Judo do Algarve (ADJA), constituída formalmente em 1979, três anos depois de uma Pró-Associação criada em 1976, conta hoje, segundo o seu presidente, com 1 387 judocas federados, 18 clubes, 45 treinadores revalidados e 63 árbitros. Dinis Pinto, que lidera a direção desde 2022, respondeu por escrito ao guião do IPPONZITO, num contributo que ele próprio diz ter sido dado «dentro do pouco tempo livre» de quem acumula a presidência com a atividade de treinador.

O resultado é um retrato franco de um distrito que se afirma pela quantidade e pela diversidade do que organiza: cerca de quarenta atividades por ano, entre competições, formações creditadas, treinos associativos e estágios. Um retrato que também não esconde as dificuldades e os desafios, do financiamento às instalações, da renovação de dirigentes à necessidade de dar a conhecer o Judo às autarquias.

O JUDO ALGARVIO EM NÚMEROS (DADOS FORNECIDOS PELO ENTREVISTADO)

• Atletas federados: 1 009 (2023), 1 296 (2024) e 1 387 (2025). O recorde anterior, segundo a página oficial da ADJA, era de 915 federados em 2019.

• Clubes: 18 em 2023, 17 em 2024, 18 em 2025 e 18 em 2026, com mais dois processos de inscrição em curso (Olhão já tem clube novo; São Brás de Alportel em processo).

• Treinadores: 28 (2023), 32 (2024) e 45 (2025), e um curso de Grau I a terminar antes do final de 2026.

• Árbitros: 63 de diferentes categorias, entre os quais um Árbitro de Elite (2023) e uma Árbitra Nacional (2024).

• Judo Adaptado: cerca de 60 praticantes em toda a região. A ADJA paga os seguros e oferece os judogis.

• Atividade: cerca de 40 iniciativas por ano; cerca de 80% realizam-se em Albufeira.

Entre 2023 e 2025, segundo estes números, o Algarve somou 378 federados (cerca de 37%) e 17 treinadores a mais, uma subida de cerca de 60% (cálculo do IPPONZITO a partir dos dados do entrevistado).

1. Dinis Pinto, a pessoa por trás da ADJA

Como começou a sua relação com o Judo, e o que o levou a assumir um cargo de dirigente?

Conta Dinis Pinto que o pai fazia Judo em Beja e que, aos oito anos, o levou para iniciar as aulas no Judo Clube de Beja. «Desde então nunca mais me desliguei da modalidade», diz. Ao longo de quase quarenta anos passou por todas as fases do processo de formação: foi atleta de formação, competiu em todos os escalões até veterano, e é hoje árbitro, treinador, membro da Comissão Associativa de Graduações da sua associação e dirigente associativo.

Recorda que o Judo algarvio foi durante muito tempo associado ao Mestre Júlio Marcelino e ao Judo Clube do Algarve, «com o elevado mérito que lhes cabe na formação de inúmeros atletas com resultados de excelência». Foi, na sua leitura, com a direção de António Alves que a dinamização da associação ganhou uma nova escala, com a criação de vários cursos de formação de treinadores e árbitros e o reforço dos recursos humanos. Dinis Pinto fez parte dessa estrutura e, em 2022, decidiu criar uma equipa própria, «com um objetivo comum: fazer crescer este projeto que é o Judo na região do Algarve».

Que balanço faz destes anos à frente da associação?

«Muito positivo e gratificante», responde. Segundo o presidente, o Algarve está «na linha da frente», a concorrer com as associações distritais de Lisboa, Setúbal e Porto, com uma demografia que todos os anos atinge recordes em atletas, árbitros, treinadores e clubes.

Destaca dois projetos recentes. O primeiro é o Judo para pessoas com deficiência, lançado há dois anos, em que a ADJA paga os seguros e oferece os fatos de Judo, e que conta hoje com cerca de 60 praticantes. O segundo são os katas, uma vertente que, segundo diz, ainda não estava criada no Algarve: este ano a ADJA organizou o primeiro Campeonato Regional de Katas, numa edição aberta a participantes de outras regiões, com o objetivo de criar, em conjunto com outras associações, um calendário próprio para este tipo de provas.

Que visão tinha quando assumiu a presidência, e quanto já foi concretizado?

A visão passava por dar a toda a comunidade judoca do Algarve, «sem exceção», as condições necessárias ao seu desenvolvimento estrutural. Entre o que já foi concretizado, Dinis Pinto aponta a criação de um cargo de Diretor Técnico, com o convite ao atleta e treinador Gonçalo Mansinho, o que deu consistência aos treinos associativos e a alguns estágios; a regularidade de provas para os escalões de formação; a aposta no Judo Adaptado, que este ano levou ao Nacional de Judo Adaptado e Paralímpico a segunda comitiva do Algarve; e o apoio à criação de novos clubes, como o de Olhão.

Falta, reconhece, investir em equipamento de apoio às provas, como os kits de videoárbitro, para os quais ainda não houve margem. Explica que a atual gestão surge num período exigente para o Judo, em que o contexto financeiro da modalidade a nível nacional tem reflexo direto no orçamento das associações distritais. «Queremos fazer muito mais», diz, admitindo que a situação por vezes se torna «inquietante», porque as despesas correntes não deixam espaço para os investimentos desejados. Mesmo assim, resume, «aos poucos todos os objetivos se vão atingindo».

Se tivesse de resumir, numa frase, o estado atual do Judo algarvio?

“O Judo algarvio vive uma fase de consolidação, com bases sólidas para continuar a crescer.” — Dinis Pinto

2. Meio século de Judo no Algarve

A história do Judo algarvio remonta a 1976, com a criação de uma Pró-Associação distrital, e a ADJA foi constituída formalmente em 1979, no Cartório Notarial de Lagoa, segundo a informação que consta na página oficial da associação.

O que representa estar à frente de uma instituição com quase 50 anos de história?

«Representa um grande orgulho poder ter a oportunidade de deixar a minha marca nessa mesma história», responde, sublinhando o respeito, a gratidão e o reconhecimento por todos os que se entregaram a esta missão. Alguns desses protagonistas continuam ligados aos órgãos sociais, como um dos fundadores da associação, António Leote Menau.

Como evoluiu a demografia do Judo no distrito desde o máximo histórico de 2019?

O marco histórico, diz Dinis Pinto, foi atingido no ano passado, com 1 387 judocas federados, contra os 915 de 2019. O crescimento foi forte entre 2023 (1 009) e 2024 (1 296), com mais 287 atletas, e continuou em 2025, com mais 91. O presidente é cauteloso quanto a 2026: o ano ainda decorre, mas o Algarve, tal como o resto do país, sente o efeito do aumento das taxas federativas, que identifica como um fator limitador da progressão.

A sua proposta é construtiva: considera que poderiam ter sido ponderados regimes de exceção para o desporto escolar, o Judo Adaptado e as instituições de inclusão social, que não conseguem suportar esses pagamentos. Dá um exemplo concreto: o Agrupamento de Escolas de Ferreiras contou, no ano passado, com 49 alunos federados, que este ano não foram revalidados. Há ainda alunos de escolas e creches a praticar Judo no Algarve que, não estando federados, não entram nos dados da modalidade, algo que, na sua opinião, também não favorece os números apresentados ao IPDJ para efeitos de atribuição de verbas.

Quanto aos clubes, o Algarve conta com 18, de Lagos a Vila Real de Santo António. Abriu-se um novo clube em Olhão e está em curso a inscrição de outro em São Brás de Alportel. «Temos como um objetivo importante levar o Judo a todos os concelhos da região», afirma. Os treinadores passaram de 28 em 2023 para 32 em 2024 e 45 em 2025, e um curso de Grau I deverá terminar antes do final do ano.

Que clubes considera hoje mais determinantes para o desenvolvimento do Judo no distrito?

Dinis Pinto refere que há seis ou sete clubes que ultrapassaram a barreira dos 100 a 150 atletas (dados de 2025): a Academia de Judo de Faro, a Academia de Judo do Arade (Lagoa), a Academia de Artes Marciais de Altura, o Judo Clube de Lagos, o Judo Clube de Portimão, o Judo Clube do Algarve (Faro) e o Clube Desportivo Areias de S. João (Albufeira).

Mas avisa que o tamanho não é tudo: «um clube pode ser grande na sua estrutura e não assumir qualquer papel determinante no desenvolvimento coletivo do Judo na região». Aponta como exemplo de envolvimento total o Clube Desportivo Areias de S. João, onde está a base logística da associação e onde ele próprio é responsável técnico, e destaca outros clubes que contribuem com recursos humanos e acolhem eventos nas suas cidades. A grande maioria, como em todo o país, enfrenta constrangimentos de espaço e de horários.

O caminho para o desenvolvimento, defende, passa por chegar às autarquias, mostrando o que a associação organiza, e, a partir desse reconhecimento, integrar o Judo nas atividades de enriquecimento curricular, nos campos de férias e em eventos de promoção de hábitos de vida saudáveis. Dá exemplos do que já se faz: a Academia de Artes Marciais do Guadiana, com campos de férias e um estágio internacional de verão; a Academia de Judo de Faro, no Dia Mundial da Saúde, no Fórum Algarve; e a Academia de Judo do Arade, nas férias ativas e na FATACIL, em Lagoa.

Que desafios são hoje diferentes dos de há dez ou vinte anos?

O primeiro é ter recursos humanos que permitam responder ao aumento e à diversidade de atividades do calendário: campeonatos internacionais e nacionais, Judo Adaptado, formações creditadas pelo IPDJ, treinos associativos, exames de graduação, estágios internacionais, formação de árbitros e participação em estágios nacionais de arbitragem, de treinadores e de katas. O segundo é o financeiro: para não sobrecarregar as famílias, a ADJA tem procurado patrocinadores.

3. Os grandes nomes que o Algarve deu ao Judo

Do primeiro vice-campeonato nacional de António Leote Menau, em 1976, à presença de Sandra Godinho nos Jogos Olímpicos de Barcelona 1992, a primeira judoca algarvia a competir numa Olimpíada, o distrito tem uma tradição de resultados que atravessa gerações.

Que lugar ocupa Sandra Godinho na memória coletiva do Judo algarvio?

Dinis Pinto admite que Sandra Godinho está na memória do Judo algarvio, mas não tão presente no coletivo como devia. Explica que a maioria dos responsáveis de clubes não viveu esse período e que muitos estão em Portugal há relativamente pouco tempo, pelo que será necessário um trabalho suplementar de memória e reconhecimento, «pois são 50 anos de história».

O que explica a capacidade de gerar resultados de topo num distrito relativamente pequeno?

Para o presidente, a resposta está, em primeiro lugar, no trabalho do treinador Júlio Marcelino, que já era Diretor Técnico da ADJA no período em que surgiram Ana Cachola, campeã europeia sub-23 e de juniores, e Joana Santos, multicampeã mundial e surdolímpica. Descreve os sacrifícios que isso implica: tempo longe das famílias, noites sem dormir, planeamento e acompanhamento, e o desempenho de vários papéis, de «pai» a treinador, motorista e administrativo.

Mas, sublinha, tudo isto só faz sentido porque há atletas: o compromisso, o espírito de sacrifício, as lesões, o treino com dor, a pressão psicológica e os cuidados com a alimentação e o peso. Os casos de Ana e Joana são, diz, «exemplos de superação» e fonte de inspiração para os jovens judocas algarvios.

Recorda ainda que, em 2017, Ana Cachola e Tiago Lopes saíram para criar a Academia de Judo de Faro, que nos anos seguintes conquistou medalhados nacionais em todos os escalões, como Tomás Góis, Cátia Rosa e Mafalda Matos. E aponta os clubes que, na última década, se afirmaram de forma sustentada, com os respetivos treinadores:

CLUBES QUE SE AFIRMARAM NA ÚLTIMA DÉCADA

• Judo Clube de Lagos: Rosário Luwawa.

• Judo Clube de Portimão: Delfim Martins e Joaquim Batista.

• Casa do Povo de Messines: João Garcês.

• Clube Desportivo Areias de S. João: Dinis Pinto, Carla Martins, Ricardo Henriques e Tiago Moreira.

• Academia de Judo do Arade: Carlos Santos.

• Academia de Judo de Faro: Ana Cachola, Tiago Lopes, Ana Martins, Alessandro Merly e Katia Merly.

• UFAD Unbreakable Force: Cristian Bernal.

Que atleta ou geração vê como a próxima grande referência?

Dinis Pinto vê com apreensão a renovação, à semelhança do que acontece no Judo nacional, e considera que é um processo que «carece de tempo para se consolidar». Entre os sinais positivos, cita três juniores algarvios integrados este ano no projeto de apoio ao alto rendimento da FPJ: Stanislav Yoltukhovskiy, Danilo Storozhuk e Maksym Voronin. E lembra atletas formados no Algarve que seguiram outros rumos, como Alexandre Bucur e Miguel Nery Gago, este último integrado no projeto olímpico.

Hoje, descreve, cada clube tem o seu projeto desportivo e cada associação desenvolve atividades com a sua estratégia. Na sua opinião, falta uma coordenação de todo este processo, que deveria ser definida pelo órgão federativo, para que programas de apoio ao desenvolvimento do Judo funcionem de forma articulada.

Dinis Pinto recorda que houve um período em que faltou investimento nas «segundas linhas» das seleções nacionais dos vários escalões e considera que o fim dos rankings e das respetivas provas, que a FPJ assegurava, foi um retrocesso, porque garantiam níveis regulares de organização e competitividade. Gostaria de ver regressar provas de seleção regulares, com critérios de apuramento, que ajudem a evolução dos atletas de forma contínua.

Como transforma a associação estes exemplos em inspiração para os mais novos?

Com momentos de convívio e partilha de aprendizagens e, no aniversário da ADJA, com a homenagem a atletas.

4. Arbitragem e formação técnica

Em 2013, o algarvio António Alves tornou-se o primeiro árbitro revalidado pelo Algarve a obter a licença de árbitro internacional B, um marco na história técnica da associação.

Como está organizada a formação de treinadores e árbitros?

A ADJA já promoveu cursos de treinadores de nível I e, ao longo do ano, organiza formações para responder às necessidades concretas dos treinadores: ligaduras funcionais, nutrição, Judo Adaptado e técnica de katas. Em 2024, o curso gerou mais quatro treinadores; em 2025, Dinis Pinto fala em 17 treinadores formados. Há também um grande investimento na formação de árbitros e de cronometristas. «É importante destacar o papel central que o árbitro tem numa competição», sublinha.

Que evolução houve na arbitragem algarvia desde 2013?

Dinis Pinto cita a ascensão de Rosário Luwawa a Árbitro de Elite, em 2023, e a de Alicia Frango a Árbitra Nacional, em 2024. Neste momento, a árbitra regional Maria Grisélia Lopes está em processo de avaliação para Árbitra Nacional.

5. Clubes, autarquias e vida associativa

De Faro a Vila Real de Santo António, passando por Portimão, Lagoa, Lagos, Albufeira e Quarteira, o Judo algarvio está espalhado por praticamente todo o distrito.

Há concelhos onde a modalidade está mais forte?

A direção continua a defender a descentralização do calendário associativo, apoiando toda a área geográfica da região. Mas há concelhos que se destacam, tanto em número de atletas como de clubes: Faro, Albufeira, Portimão, Lagoa e Lagos. Para dar aos clubes com menos atletas a oportunidade de evoluir, a ADJA criou estágios associativos de competição todos os meses. Entre os clubes com resultados regulares, Dinis Pinto cita o Judo Clube de Portimão, o Judo Clube do Algarve, o Clube Desportivo Areias de S. João e o Judo Clube de Lagos. E dá um sinal do trabalho coletivo: segundo diz, a equipa algarvia venceu a primeira edição da Taça Interassociações Kobayashi, realizada no ano passado.

Como é a relação com as autarquias e com o IPDJ?

De proximidade, diz. A ADJA coopera com o IPDJ nas atividades para que é solicitada e trabalha com os municípios em articulação com os clubes locais. Destaca as autarquias de Albufeira, onde se realizam cerca de 80% das atividades do calendário associativo, Lagoa, Vila Real de Santo António e São Bartolomeu de Messines, que se mostram sempre presentes e disponíveis.

Como se equilibra o Judo de competição e o Judo de formação?

Dinis Pinto reconhece que há maior participação em tudo o que envolve a competição. Mas lembra que os clubes têm vida própria e decidem o plano formativo que lhes interessa. A associação, através da Comissão Associativa de Graduações, procura participar em todos os estágios técnicos da FPJ, para se manter atualizada. Já nos estágios técnicos associativos, observa, a maioria dos clubes só participa quando prepara exames de graduação.

Que papel pode ter o turismo desportivo?

Um papel «muito importante», na opinião do presidente. O Algarve tem boas infraestruturas, clima ameno durante todo o ano e vasta oferta de alojamento, condições que permitem acolher estágios, torneios, campos de treino e intercâmbios, atraindo atletas, treinadores e clubes de outras regiões e países. Isso dá visibilidade ao Judo, gera impacto económico local, pode incentivar entidades públicas e privadas a investirem e favorece a troca de conhecimentos técnicos. A associação do Algarve ao Judo pode ainda atrair novos praticantes e reforçar os clubes locais.

6. Ligação ao Ribatejo e ao Judo nacional

O Algarve já teve um dos seus antigos dirigentes, Carlos Andrade, à frente da Federação Portuguesa de Judo, entre 2011 e 2012, prova do peso que o distrito já teve nos destinos do Judo nacional.

Que relação tem a ADJA com as outras associações, em particular com Beja e Setúbal?

«Relação próxima e coesa», responde. Com a Associação Distrital de Judo de Setúbal diz ter aprendido bastante em dinâmicas de organização de provas, participa ativamente nas atividades das associações da zona e reúne com regularidade para tratar assuntos de interesse estratégico. «Porém, seguimos a nossa linha de progressão», acrescenta.

Há cooperação com o distrito de Santarém e o Ribatejo?

«Claro que sim», responde, e a resposta tem nomes. «A Associação Distrital de Judo de Santarém assume referências do Judo», diz Dinis Pinto, que não dispensa o convite ao amigo Filipe Lopes, Diretor Técnico Distrital da AJDS, para participar como formador nos cursos de treinadores da ADJA.

Reconhece também o elevado mérito do «impulsionador da vertente dos katas», Mestre Francisquinho, com quem tem mantido contactos para, em conjunto, criarem de forma estratégica um conjunto de atividades e eventos de katas entre várias regiões, que assegure um calendário regular de competições e estágios.

“A Associação Distrital de Judo de Santarém assume referências do Judo.” — Dinis Pinto

O que gostaria ainda de conquistar o Algarve dentro do Judo Nacional?

«Confesso que ficaria bastante contente em ter um atleta algarvio não só a participar nuns Jogos Olímpicos, mas a conquistar uma medalha olímpica», afirma. Para lá chegar, defende que o Algarve tem elevado potencial, tanto nos apoios locais para acolher grandes eventos como na demografia federada, e que o investimento dos clubes nos escalões de formação dará frutos de forma sustentável.

Há um sonho de infraestrutura: a criação de um centro de treinos de maior dimensão, com condições para acolher equipas e seleções nacionais em estágios de preparação, que colocaria o Algarve no mapa como referência estratégica do Judo e permitiria aos atletas da região usufruir dessas condições.

7. O que vem a seguir

Com quase cinco décadas de história e uma tradição de resultados de topo, a ADJA olha agora para o que quer construir.

Quais são as três prioridades concretas para os próximos 12 meses?

AS TRÊS PRIORIDADES DA ADJA

• Ter disponíveis, pelo menos em três zonas distintas do Algarve, tatamis que permitam um crescimento sistemático e sustentado do Judo.

• Capacitar os árbitros.

• Envolver os clubes, para que o compromisso com a organização de atividades seja maior.

Como imagina o Judo algarvio daqui a cinco ou dez anos?

«Na mesma linha de projeção que tentamos seguir», responde: uma modalidade ainda mais presente, talvez uma das modalidades individuais mais praticadas na região, a par do atletismo, com mais campeões a todos os níveis, mais projetos inclusivos e novas gerações de judocas a integrarem as estruturas de direção da associação, «pois só assim conseguimos dar prospeção a esta missão».

Há plano de investimento em infraestruturas próprias?

Dinis Pinto responde que a ideia é potenciar as infraestruturas desportivas dos concelhos algarvios, de forma a gerar crescimento.

Que geração de dirigentes, treinadores e árbitros gostaria de ver formada?

Aqui, o presidente fala de renovação. Vê com alguma preocupação o ciclo natural dos jovens que poderiam assumir papéis de liderança: muitos saem para a faculdade em Lisboa, no Porto ou em Coimbra e, concluídos os estudos, não regressam ao Algarve, e alguns emigram.

“Acho que não podemos nem devemos «agarrar» a um cargo ou direção, devemos sim criar mecanismos de integração de jovens capacitados para iniciar a vida no associativismo.” — Dinis Pinto

Defende uma conciliação entre o espírito jovem e a experiência e maturidade dos mais velhos, numa passagem de testemunho que «não poderá ser assumida com pressas, mas sim progressiva».

8. Uma palavra pessoal

Qual foi o momento de que mais se orgulha à frente da ADJA?

Não escolhe um momento. Prefere falar de «circunstâncias simples de reconhecimento»: pequenos gestos ou palavras de pais de atletas, dirigentes de clubes, organizadores e atletas, que revelam que o esforço e a dedicação produziram efeito.

Que conselho daria a um jovem dirigente que sonhasse seguir o seu percurso?

“Nunca perca a paixão pelo Judo e esteja sempre disponível para aprender e servir a modalidade.” — Dinis Pinto

Ser presidente da ADJA, acrescenta, «não é apenas um cargo, é uma responsabilidade para com os atletas, treinadores, clubes e toda a comunidade judoca». O essencial é trabalhar com humildade, ouvir as pessoas, criar pontes entre os agentes da modalidade, ter visão estratégica e persistência. E, acima de tudo, colocar sempre os interesses da modalidade à frente dos interesses pessoais.

Que mensagem deixa aos jovens judocas do Algarve?

“Sonhem e trabalhem, trabalhem muito até alcançarem o objetivo com que sonharam, sem perder o foco.” — Dinis Pinto

E acrescenta: «Nós, Associação, estaremos sempre presentes para apoiar em tudo o que for possível nesse processo.»

O que fica:
Um presidente que começou aos oito anos num tatami de Beja e hoje lidera um distrito com 1 387 federados e 18 clubes. Um Judo algarvio em consolidação, com sonhos grandes: tatamis em três zonas, um centro de treinos nacional, uma medalha olímpica. E uma mão estendida ao Ribatejo, com Filipe Lopes como formador e os katas como ponte entre regiões.

Nota de Referência

Entrevista elaborada, a partir das respostas de Dinis Pinto ao guião do IPPONZITO. As opiniões são do entrevistado e não vinculam o IPPONZITO. Os números atuais (federados, clubes, treinadores, árbitros e Judo Adaptado), as referências a resultados e à Taça Interassociações Kobayashi são da responsabilidade do entrevistado e não foram verificados de forma independente. Os dados históricos (1976, 1979, Menau, Sandra Godinho, Carlos Andrade, António Alves) provêm da página oficial da ADJA. Nas respostas, a formação de 17 treinadores em 2025 e a evolução de 32 para 45 treinadores revalidados não coincidem exatamente, o que pode refletir revalidações. O IPPONZITO está disponível para publicar o ponto de vista de quem seja referido.