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Judogi em regra: o que verificar antes de a época recomeçar

Setembro é, para a maioria dos clubes do Ribatejo, o mês em que os treinos retomam o ritmo e os mais novos experimentam, muitas vezes, o primeiro judogi novo da época. É também, por isso, a melhor altura para recordar as regras que definem um judogi em condições – não as normas altamente técnicas reservadas […]

Por Ana Rodrigues 6 minutos de leitura
Imagem de Judogi no tatami
O ajuste correto do judogi é essencial para o treino e a competição, segundo as regras da IJF.

Setembro é, para a maioria dos clubes do Ribatejo, o mês em que os treinos retomam o ritmo e os mais novos experimentam, muitas vezes, o primeiro judogi novo da época. É também, por isso, a melhor altura para recordar as regras que definem um judogi em condições – não as normas altamente técnicas reservadas às competições internacionais da Federação Internacional de Judo (IJF), mas os princípios de base que sustentam essas mesmas regras, e que qualquer judoca, pai ou treinador do distrito de Santarém pode e deve verificar antes de cada treino ou competição.

Porque vale a pena rever isto agora

As regras oficiais da IJF para o controlo de judogis em competições internacionais são extremamente detalhadas – chegam a especificar, ao centímetro, a distância entre o topo do esterno e o ponto de cruzamento da lapela do casaco, ou o espaço exato reservado à publicidade de um patrocinador. Grande parte desse detalhe não interessa a um judoca de escalão de formação em Santarém ou no Ribatejo. Mas por trás de toda essa minúcia está um punhado de princípios simples – sobre o ajuste, o estado e a higiene do judogi – que são exatamente os mesmos, seja a competir num Grand Slam ou num torneio distrital. Recordá-los agora, no arranque da época, evita surpresas mais tarde: um judogi comprado à pressa, um tamanho errado ou um cinto mal apertado são problemas fáceis de corrigir em setembro, e mais incómodos de resolver às vésperas de uma competição.

O judogi tem de vestir bem, não só estar limpo

O erro mais comum, sobretudo quando se compra um judogi para uma criança em crescimento, é escolher um tamanho “para durar” – grande demais no momento, na expectativa de que sirva também no ano seguinte. As regras da IJF são claras quanto ao ajuste correto, e os princípios aplicam-se a qualquer escalão:

O AJUSTE CORRETO DO JUDOGI

Comprimento do casaco: deve cobrir por completo as nádegas, com uma margem de 5 a 10 cm

Mangas: devem cobrir todo o braço, incluindo o osso do pulso (a proeminência óssea do lado do dedo mindinho)

Calças: o tornozelo (maléolo) deve ficar visível – a bainha não deve ultrapassá-lo em mais do que alguns centímetros

Lapela do casaco: a distância entre as duas lapelas, ao nível do cinto, deve ser de pelo menos 25 cm

Gola: a distância entre o topo do esterno e o ponto de cruzamento das lapelas deve ser inferior a 10 cm

Na prática, para quem não anda com fita métrica no saco de treino: um judogi bem ajustado não deixa os punhos ou os tornozelos à mostra, não abre demasiado ao nível do peito quando o cinto está apertado, e a saia do casaco chega, no mínimo, a meio das coxas. Vale sempre a pena experimentar o judogi vestido – e não apenas verificar o número – antes de o comprar.

O cinto: como deve ficar

O cinto (obi) tem também as suas regras próprias, muitas vezes esquecidas: deve ter entre 4 e 5 milímetros de espessura, não pode ser feito de material rígido ou escorregadio, e as pontas, a contar do nó central, devem medir entre 20 e 30 centímetros. Mais importante do que a medida exata é o essencial – o cinto deve ser usado à cintura, acima do osso da anca, e o nó deve ficar bem apertado. Um cinto mal atado não é só uma questão estética: compromete a segurança e a fixação do judogi durante as projeções.

Limpeza e estado do judogi

Nas competições internacionais, um judogi húmido, manchado ou com sinais visíveis de desgaste – sobretudo na gola e na lapela, os pontos que mais sofrem com as pegas – é motivo de desqualificação. A nível de clube, a exigência é naturalmente mais informal, mas o princípio de fundo mantém-se: um judogi limpo e seco não é apenas uma questão de higiene pessoal, é também uma questão de respeito pelo companheiro de treino, que vai estar em contacto direto com esse tecido, pega após pega, ao longo de toda a sessão.

Proteções, unhas e cabelo

Três verificações simples, mas muitas vezes esquecidas antes de um treino ou competição: as unhas das mãos e dos pés devem estar bem cortadas, para evitar lesões próprias ou do companheiro de treino; o cabelo comprido deve estar preso, de forma a não atrapalhar a pega do adversário nem sair à frente dos olhos a meio de uma projeção; e qualquer proteção usada – joelheiras, cotoveleiras, caneleiras – não pode ter qualquer elemento metálico ou rígido, um cuidado que protege tanto quem a usa como quem lhe pega.

E as regras de competição internacional?

Para quem tiver curiosidade, vale a pena saber que, a par destes princípios de base, a IJF regula com grande detalhe tudo o que rodeia o judogi nas competições internacionais: desde a localização exata dos logótipos do fabricante e da publicidade autorizada, até ao sistema de “backnumbers” com o nome do atleta e a sigla do país, ou às distinções reservadas a campeões olímpicos e mundiais —– uma estrela dourada por cada título mundial, um círculo dourado por cada título olímpico, ambos colocados junto ao emblema nacional no peito do judogi. É um mundo de regras bem mais complexo do que o exigido a um judoca de clube – mas construído exatamente sobre os mesmos alicerces de ajuste, estado e higiene que qualquer judoca do Ribatejo pode, e deve, verificar antes de cada treino.

O que fica:
Antes de a época avançar, vale a pena confirmar, com cada atleta: o judogi tem o tamanho certo (mangas e calças a cobrir pulsos e tornozelos, casaco a cobrir as nádegas), o cinto está bem apertado e do comprimento correto, o judogi está limpo, seco e sem sinais de desgaste na gola, as unhas estão cortadas, o cabelo comprido está preso, e as proteções usadas não têm qualquer elemento metálico. São regras simples, mas que fazem toda a diferença – para a segurança, para o respeito pelo companheiro de treino, e para começar a época com o pé direito.

Nota de Referência

International Judo Federation – IJF Judogi Rules (Sport and Organisation Rules of the International Judo Federation, documento oficial C1.1 a C1.14).