Sair da zona de conforto: o que Katia Sombra trouxe de Tomar para os tatamis de Torres Novas
Katia Sombra chegou ao Estágio Internacional de Judo da AJDS, em Tomar, como treinadora do Clube de Judo de Torres Novas (CJTN). Foi lá para ensinar os seus atletas a evoluir – mas saiu de Tomar a reconhecer que quem mais aprendeu, ao longo daqueles dias, foi ela própria. De Torres Novas para o grande […]
Katia Sombra chegou ao Estágio Internacional de Judo da AJDS, em Tomar, como treinadora do Clube de Judo de Torres Novas (CJTN). Foi lá para ensinar os seus atletas a evoluir – mas saiu de Tomar a reconhecer que quem mais aprendeu, ao longo daqueles dias, foi ela própria.
De Torres Novas para o grande palco do estágio
Não era a primeira vez que Katia participava numa formação deste género, mas as expectativas com que chegou a Tomar eram altas e, garante, foram plenamente correspondidas. Descreve a experiência, sem rodeios, como “muito positiva e enriquecedora em vários aspetos, tanto tecnicamente como pessoalmente”, e reconhece que a motivação inicial de adquirir novos conhecimentos técnicos se cumpriu ao longo dos dias de treino.
Kuzushi, erros e uma lição de humildade
O trabalho técnico que mais ficou centrou-se sobretudo em pormenores que só a experiência de treinar lado a lado com outros técnicos permite afinar: o trabalho de Kuzushi e a continuidade dos ataques em atletas de competição. “Aprendi bastante, sobretudo com os erros e correções dos treinadores, principalmente na adaptação ao trabalho de Kuzushi e continuidade dos ataques especificamente para atletas de competição”, resume.
Mas a aprendizagem técnica veio a par de um exercício mais desconfortável e, por isso mesmo, mais valioso. Ao seu lado no tatami estiveram treinadores e atletas de outros clubes e de outras nacionalidades, num estágio que juntou também técnicos vindos de fora de Portugal, de países como a França, a Espanha e a Alemanha. Partilhar espaço de trabalho com realidades tão diferentes da sua não foi fácil: “foi desafiante partilhar conhecimentos com judocas de níveis e nacionalidades diferentes. Conhecer outras formas de trabalhar em situações de randori ajudou-me a identificar onde devo melhorar mais e sair um pouco da minha zona de conforto. Isso faz-me continuar a trabalhar e evoluir”, admite, numa frase que, mais do que resumir o estágio, resume também a forma como encara a própria evolução enquanto treinadora.
Vários treinadores, um só espírito
Se há algo que distinguiu esta edição de outras experiências de formação a que já assistiu, foi precisamente essa mistura de nacionalidades e metodologias, repetida dia após dia do evento. Katia elogia, em particular, a decisão de reunir mais do que um treinador a partilhar conhecimento técnico com os atletas, uma opção que lê como algo mais do que uma escolha organizativa: “achei interessante convidar mais de um treinador para partilhar os conhecimentos técnicos com os atletas, foi inovador para todos e reflete muito bem o espírito do Judo “Jita Kyoei””, nota, invocando o princípio japonês do “benefício mútuo”, um dos valores fundadores do Judo.
Nem só de tatami se fez o estágio. Entre as sessões mais marcantes, e ao lado de um trabalho técnico que considera, no seu conjunto, uma mais-valia para os atletas de competição, destaca também um momento fora do treino: “a palestra sobre dopagem trouxe muitas informações relevantes para os participantes”. Sobre a organização geral desta edição, o veredicto é igualmente positivo: “foi um estágio muito bom, teve uma boa organização, cumprindo com os horários, e os atletas conseguiram interagir muito bem diante dos novos aprendizados, sem nenhuma dificuldade ou dúvida”.
De volta a Torres Novas
O que Katia leva do estágio não fica em Tomar. Enquanto treinadora do CJTN, encara esta troca de experiências como matéria-prima para o trabalho dos próximos meses: “essa troca de experiências foi enriquecedora para todos. Para mim, enquanto treinadora, poderei agregar ou adaptar novas metodologias de trabalho com os meus atletas futuramente”, explica, deixando claro que o que aprendeu ao lado de treinadores de outras nacionalidades vai moldar, de forma concreta, os treinos em Torres Novas.
A única nota crítica que deixa para as próximas edições vai para a antecedência da divulgação, um fator que, na sua opinião, pode determinar o sucesso de participação de futuras edições: “sugiro que nas próximas edições seja feita a divulgação com mais antecedência; desta forma, os interessados conseguem organizar-se melhor para poder estar presentes no evento, o que pode significar um aumento significativo de participantes”.
À comunidade de clubes da região, deixa uma mensagem que resume bem a forma como vive o Judo, dentro e fora do tatami: “o Judo está em evolução constante, temos sempre de estar atualizados em todos os aspetos para melhorar o nosso trabalho. É importante que todos aproveitem as oportunidades que temos com a realização de estágios nacionais e internacionais oferecidos aos clubes da região”.
Autor
Tiago Martins
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