COMPETIÇÃO

Patrícia Sampaio é Quinta do Mundo em Baku: a Tomarense que regressou de uma lesão grave, esteve a um combate do pódio e já pensa em Los Angeles 2028

Seis meses parada por uma rotura ligamentar no joelho, um regresso com bronze no Grand Slam de Lausana e um Mundial com três vitórias, uma meia-final perdida e um combate pelo bronze a escapar-lhe por um yuko. A judoca do Gualdim Pais, medalhada olímpica em Paris 2024, foi a melhor portuguesa em Baku. Patrícia Sampaio […]

Por Tiago Martins 5 minutos de leitura
Patrícia Sampaio, de judogi azul, antes do combate pelo bronze no Mundial de Baku
Patrícia Sampaio entra para o combate pelo bronze em -78 kg, no Campeonato do Mundo de Baku 2026. (c) Di Feliciantonio Emanuele Foto:IJF

Seis meses parada por uma rotura ligamentar no joelho, um regresso com bronze no Grand Slam de Lausana e um Mundial com três vitórias, uma meia-final perdida e um combate pelo bronze a escapar-lhe por um yuko. A judoca do Gualdim Pais, medalhada olímpica em Paris 2024, foi a melhor portuguesa em Baku.

Patrícia Sampaio terminou o Campeonato do Mundo de Baku no 5.º lugar da categoria de -78 kg. A tomarense, de 27 anos, perdeu o combate pela medalha de bronze com a japonesa Kurena Ikeda, que marcou um yuko por volta do meio do tempo regulamentar, e viu escapar-lhe uma segunda medalha mundial consecutiva, depois do bronze de Budapeste, no ano passado. Foi o melhor resultado da comitiva portuguesa em Baku, onde Portugal levou nove judocas e ainda não subiu ao pódio.

O MUNDIAL DE PATRÍCIA SAMPAIO EM SÍNTESE

• Categoria: -78 kg. Cabeça de série n.º 6 (6.ª do ranking mundial), isenta na primeira ronda.

• Vitórias: Tuana Gulenay (Turquia), Vicky Verschaere (Bélgica), em 37 segundos, e Beatriz Freitas (Brasil).

• Meia-final: derrota com Yelyzaveta Lytvynenko (Emirados Árabes Unidos), por ippon.

• Combate pelo bronze: derrota com Kurena Ikeda (Japão), 4.ª do ranking mundial, por yuko.

• Resultado final: 5.º lugar, o melhor da seleção portuguesa na prova.

O caminho em Baku: de arranque cauteloso a duas vitórias por ippon

Patrícia entrou na prova diretamente na segunda ronda, como sexta cabeça de série, e começou com um combate difícil frente à turca Tuana Gulenay, que só resolveu por waza-ari no prolongamento, ao fim de mais de cinco minutos. Depois, a portuguesa embalou: eliminou a belga Vicky Verschaere em apenas 37 segundos e a brasileira Beatriz Freitas, ambas por ippon, e chegou às meias-finais com exibições dominadoras.

Na meia-final, enfrentou Yelyzaveta Lytvynenko, adversária contra quem tinha um registo totalmente vitorioso. A atleta dos Emirados Árabes Unidos impôs o combate no solo e forçou a portuguesa a desistir com uma chave de braço (juji gatame), o que valeu ippon. Lytvynenko viria a conquistar o título mundial, como confirmou o comunicado do clube de Patrícia. Sampaio explicou depois que o seu judo é feito de ritmo e ataque, enquanto as adversárias esperam pelo erro e pelo contra-ataque, e que todas são mais pacientes do que ela nesse capítulo.

O bronze que escapou por um yuko

No combate decisivo, Sampaio começou bem, como estava planeado, mas o rendimento foi caindo ao longo do tempo, e a japonesa Kurena Ikeda, 4.ª do ranking mundial, marcou o yuko decisivo. Foi a terceira derrota da portuguesa em outros tantos confrontos com Ikeda. A própria atleta reconheceu que nenhum dos dois combates perdidos era impossível de ganhar, mas que as adversárias foram melhores.

Um regresso que já era uma vitória

Este 5.º lugar tem de ser lido à luz de um ano muito difícil. Em fevereiro, durante um estágio em França, depois do Grand Slam de Paris, Patrícia sofreu uma rotura no ligamento lateral interno do joelho esquerdo. Esteve seis meses parada e falhou o Campeonato da Europa de Tbilisi, em abril, onde era a campeã em título.

Regressou à competição no Grand Slam de Lausana, no fim de agosto, onde foi bronze, segundo o jornal A Bola. A atleta já admitiu que o joelho não está a 100% e que gerir a situação até Los Angeles 2028 é a sua grande preocupação, mas mantém a ambição de ser campeã do mundo e campeã olímpica.

UM CURRÍCULO DE ELITE

• Bronze olímpico em Paris 2024, na categoria de -78 kg.

• Campeã da Europa em abril de 2025 e bronze no Campeonato do Mundo de Budapeste, em 2025.

• Esteve durante algum tempo em 1.º lugar do ranking mundial, e é atualmente 6.ª.

• Em Baku disputou o seu sexto Campeonato do Mundo de seniores, 8 anos depois da estreia na mesma cidade, ainda como júnior.

Os olhos em Los Angeles 2028

Depois do combate, Patrícia mostrou o espírito que a trouxe até aqui: «Amanhã vou acordar, vou treinar outra vez», afirmou, recordando que o grande objetivo são os Jogos Olímpicos de Los Angeles 2028. A Federação Portuguesa de Judo classificou a prestação como de enorme mérito, que volta a colocar a atleta entre a elite mundial, e de excelência, que prestigia o judo português.

Tomar e o distrito de Santarém, com a campeã

Para o judo do Ribatejo, o resultado de Baku tem um peso especial. Patrícia Sampaio é natural de Tomar e representa o SFGP (Gualdim Pais), que lhe dedicou um comunicado de orgulho e reconhecimento: classificou a prova de enorme qualidade, falou de determinação, capacidade competitiva e ambição, e garantiu que o clube está com ela. É o mesmo clube de atletas como Bruno Caldeira, prata no Zonal Seniores, e de vários convocados da AJDS para a Taça Interassociações, e a sua carreira é um exemplo para os jovens do distrito. A Direção da Associação de Judo do Distrito de Santarém fez-lhe chegar uma mensagem de apoio, sublinhando que estar entre as cinco melhores do mundo é um feito ao alcance de poucas e manifestando o desejo de a acompanhar no caminho rumo a Los Angeles.

O que fica:
Quinta do mundo, seis meses depois de uma lesão grave, a um yuko do pódio e com os olhos nos Jogos de 2028: Patrícia Sampaio saiu de Baku sem medalha, mas com a mesma ambição. O IPPONZITO acompanha o ciclo olímpico até Los Angeles.

Nota de Referência

Artigo elaborado a partir de reportagens dos jornais A Bola (Ricardo Jorge Costa e redação, 8 e 9 de outubro de 2026) e Diário de Notícias (Isaura Almeida, 9 de outubro de 2026), do comunicado do SFGP e da mensagem da Direção da AJDS, sujeita a confirmação pela associação. Nem todos os dados foram confirmados em mais de uma fonte, como o regresso em Lausana.