Renato Kobayashi: de Seul 1988 à Vice-Presidência da AJDS, sem nunca sair do tatami
Olímpico em Seul 1988, fundador da Escola de Judo dos Judokinhas e hoje Vice-Presidente da Associação de Judo do Distrito de Santarém, Renato Kobayashi foi um dos formadores de destaque convidados para o Azores Training Camp 2026, em São Jorge. É a partir de Santarém, onde tem a sua licença federativa, que continua hoje a […]
Olímpico em Seul 1988, fundador da Escola de Judo dos Judokinhas e hoje Vice-Presidente da Associação de Judo do Distrito de Santarém, Renato Kobayashi foi um dos formadores de destaque convidados para o Azores Training Camp 2026, em São Jorge. É a partir de Santarém, onde tem a sua licença federativa, que continua hoje a formar campeões.
Da amizade com Pedroso Leal à Vice-Presidência da AJDS
A ligação de Renato Kobayashi a Santarém não nasceu de um convite formal, mas de uma amizade. Fundador da Escola de Judo dos Judokinhas, foi essa relação pessoal com o Presidente da AJDS, Pedroso Leal, que o aproximou da Associação – e que, com o tempo, se transformou em algo mais profundo.
“A minha ligação à Associação de Judo do Distrito de Santarém surgiu naturalmente pela amizade com o Presidente Pedroso Leal e também pelos princípios e valores que encontrei em Santarém. Para mim significa que é a Associação distrital com a qual mais me identifico.” – Renato Kobayashi
O que começou como uma vontade de ajudar “no que posso” é hoje um compromisso institucional: Renato Kobayashi foi convidado para assumir o cargo de Vice-Presidente da Associação de Judo do Distrito de Santarém, e é também delegado dos clubes na Assembleia Geral da Federação Portuguesa de Judo, onde procura “contribuir com a minha opinião com base na experiência adquirida”.
Seul 1988: orgulho e saudade
Antes de dirigente, Renato Kobayashi foi atleta olímpico – uma experiência que, quase quatro décadas depois, continua bem viva na memória.
“Recordo com orgulho e muita saudade.” – Renato Kobayashi, sobre os Jogos Olímpicos de Seul 1988
Uma frase curta, mas que resume o que significa ter representado Portugal no maior palco do Judo mundial – e que ajuda a explicar por que motivo, décadas depois, continua tão entregue à modalidade, agora do lado de fora do tatami de competição.
De atleta a treinador de referência
A carreira de Renato Kobayashi como competidor somou 20 títulos nacionais, em todos os escalões. A transição para o papel de treinador não foi um desvio, mas uma continuidade natural – e os números, hoje, superam largamente os da sua própria carreira como atleta.
“Senti com naturalidade, em resultado de muito treino e dedicação. Depois dos títulos nacionais como atleta, tenho hoje mais de 30 títulos nacionais e vários internacionais, como treinador.” – Renato Kobayashi
É hoje Grau 3 do IPDJ em Alto Rendimento e certificado pela Federação Internacional de Judo (IJF), incluindo em Defesa Pessoal – uma progressão que, na sua própria descrição, “tem significado uma enorme evolução como treinador e formador”.
A filosofia de quem forma
Mais do que os títulos, é visível no discurso de Kobayashi o gosto genuíno por transmitir conhecimento às gerações mais novas.
“É uma honra para mim poder contribuir e partilhar o que aprendi com os mais novos.” – Renato Kobayashi
E quando questionado sobre o que distingue um bom treinador de um grande treinador, a resposta é directa, quase um lema pessoal:
“Bom senso e uma dedicação exclusiva.” – Renato Kobayashi
O Azores Training Camp 2026
Foi precisamente esse currículo de atleta olímpico e formador de referência que levou ao convite para o Azores Training Camp 2026, em São Jorge, onde Renato Kobayashi orientou, ao longo de cinco dias, Juvenis, Cadetes e Juniores açorianos.
“Representa um reconhecimento do meu trabalho e uma oportunidade de crescer e ajudar a crescer como judoca.” – Renato Kobayashi, sobre o convite para o estágio
O objetivo, ao longo do estágio, foi claro: “uma visão do judo moderno para que aproveitem todos os treinos para crescer mais um pouco”. E a marca que deixa da experiência é, sobretudo, de admiração pelos jovens açorianos: “Excelentes judocas, cheios de ambição e dedicação”, resume.
Sobre a experiência de treinar numa ilha, entre o tatami e a descoberta de São Jorge, a descrição é quase poética.
“A experiência é muito rica em vivências únicas, no contexto de estar numa ilha maravilhosa, mas com várias condicionantes que se ultrapassam com a calma tipicamente açoreana.” – Renato Kobayashi

Do tatami de Seul ao Judo português de hoje
Passadas quase quatro décadas desde a sua estreia olímpica, Renato Kobayashi olha para a evolução do Judo português com um misto de reconhecimento e exigência.
“Este tema é difícil de descrever, o Judo está muito diferente – não sei se é uma evolução ou não. Do ponto de vista organizacional está melhor, mas ainda com desafios enormes a ultrapassar.” – Renato Kobayashi
Mensagem a Santarém
Para fechar, uma palavra dirigida a quem treina, todas as semanas, nos clubes onde Renato Kobayashi tem hoje a sua licença federativa.
Sobre o que gostaria de ver crescer no Judo da região nos próximos anos, a resposta aponta para dois eixos concretos de crescimento:
“O judo infantil e juvenil, e o judo feminino em mais 30%.” – Renato Kobayashi
E, resumindo numa frase o que o Judo representa para si, hoje, depois de uma vida inteira dedicada à modalidade – de atleta olímpico a dirigente associativo:
“Significa um modo de estar na vida!”– Renato Kobayashi
Nota de Referência
Esta grande entrevista foi elaborada a partir das respostas escritas concedidas por Renato Kobayashi ao IPPONZITO — Magazine do Judo do Ribatejo, a propósito do Azores Training Camp 2026.

Committee

Autor
Tiago Martins
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